Tarifas de Trump: Governo muda de planos, envia observadores aos EUA e corre contra o tempo por acordo

 

O governo brasileiro adotou uma estratégia de bastidores para lidar com o avanço do tarifaço de Trump, a sobretaxa de 25% proposta pela gestão de Donald Trump sobre produtos exportados pelo mercado brasileiro aos Estados Unidos. Diante do início das audiências públicas nesta segunda-feira (6) em Washington, o Palácio do Planalto decidiu não se inscrever para discursar nos debates abertos.

Em vez de se posicionar publicamente nos palcos da audiência, o Ministério das Relações Exteriores optou por enviar representantes da embaixada brasileira na condição estrita de observadores. A avaliação diplomática é de que fóruns públicos não são os ambientes mais eficazes para uma negociação real, mantendo as fichas focadas em conversas técnicas diretas com o escritório comercial norte-americano (USTR).

Oposição se move nos EUA com discursos agendados

Se por um lado o corpo técnico do governo federal evita os holofotes, a oposição brasileira se moveu de forma rápida. O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o influenciador político Paulo Figueiredo se inscreveram para discursar oficialmente nas audiências norte-americanas.

Flávio Bolsonaro deve abrir o segundo dia das discussões com o objetivo de usar sua proximidade e alinhamento político com a gestão republicana para sensibilizar autoridades e mitigar os impactos da taxação comercial sobre o setor agropecuário e industrial do Brasil. Representantes do setor produtivo do país também acompanham de perto os debates para tentar frear os prejuízos à relação comercial Brasil e EUA.

Prazo final aperta e governo enxerga decisão política

O tempo é o principal adversário das autoridades econômicas brasileiras, uma vez que o prazo final para selar um entendimento e evitar as sanções se encerra no dia 15 de julho. Recentemente, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, se reuniu com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e apresentou uma proposta formal englobando os seis pontos de atrito questionados pelos americanos — incluindo críticas anteriores relacionadas a redes sociais, PIX e decisões do STF.

Nos bastidores de Brasília, no entanto, o sentimento é de cautela. Interlocutores do Itamaraty avaliam de forma reservada que as recomendações pelas tarifas têm forte apelo político do governo Trump, ignorando dados puramente técnicos sobre desmatamento e balança comercial. Diante disso, analistas já não trabalham com uma reversão total do tarifaço, mas sim com uma dura batalha diplomática para arrancar isenções parciais ou diminuição nas alíquotas para os principais produtos brasileiros.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem